Ser ou não ser, eis a questão…

gabiteatromágicoHá uns 3 dias não consigo escrever nada aqui. Depois que descobri que meus pais fuxicam meu blog eu me senti invadida. Não que eu não queira que eles leiam, nem que haja qualquer conteúdo aqui que seja segredo, mas saber que aqueles que não conhecem esse meu lado menina/mulher acompanham tudo o que escrevo, pensao e externalizo me assusta.

Assusta porque a maioria de nós não tem uma relação muito aberta com os pais, então não há diálogo, eles não sabem ao fundo o que pensamos, sentimos, queremos… e o meu blog diz tanto sobre mim… aí paro… porque tanta gente, gente que eu não conheço pode saber da minha intimidade, gostos, aflições, mágoas e eu me sinto acuada de saber que meus pais saberão? Simples, eles querem a minha felicidade acima de tudo, então qualquer coisa que eu escreva aqui que não vá de acordo com isso ou com as expectativas que eles tem de mim estarei causando alguma ferida, não sei se iso é verdade, mas é esse o meu medo. Decepcioná-los.

E a minha vida anda em círculos, vivo de um jeito para não decepcionar ‘os outros’ e acabo me decepcionando, me tornando uma pessoa triste e fechada e dessa maneira fazendo com que esses ‘outros’ não fiquem satisfeitos. Eu acabo decepcionando-os mais do que se não tivesse tanta vontade de fazê-lo.

Há uma briga dentro de mim, entre ser eu e ser o que querem que eu seja, e isso definitivamente não é falta de personalidade, eu sei muito bem o que sou e o que eu quero, mas minha vontade de ser a menininha do papai às vezes se sobrepõe a isso e acabo me tornando um nada, um vazio, para mim e para eles. É contraditório sim, mas existe algo humano que não seja?

Paro e penso novamente, se eu não me procupasse tanto talvez eu conseguiria, se eu fizesse por mim e não pelo outro talvez eu fosse mais feliz e sendo mais feliz com certeza satisfaria pelo menos uma parte do tal ‘outro’ e essa minha necessidade de suprir as expectativas alheias e esquecer do que eu realmente quero… Tudo isso me lembra um trecho  de Sartre: “O inferno são os outros” que deu origem à uma música perfeita (músicas que falam por mim) dos Titãs.

Porque SIM, são os outros, temos que trabalhar nós mesmos, não podemos esperar que sejam as pessoas sejam boas como queremos, que ajam da maneira que acreditamos e nem podemos viver tentando dar isso a alguém que espera de você. Dar conta do outro (do que ele quer, do que ele faz, e do que ele espera de você) é demais para nós humildes humanos. E me deparo com Ser ou não ser, eis a questão….

Questão? William realmente perguntou isso um dia através de seus textos? Qual a dúvida dele? Porque eu tenho a certeza que é SER. Ser mais eu, ser por mim, ser quem eu quero ser. SER feliz, ser consciente, ser qualquer coisa mas nunca se anular.

Ser humano.

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3 Respostas para “Ser ou não ser, eis a questão…

  1. Tenho visto tanta futilidade por aí, que não dá pra não me encantar com essa garota que cita Shakespeare e Sartre, e externa tão claramente seus conflitos!

    Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que, por mais que se tente, não dá pra agradar a todos. Já que eu vou falhar nesse quesito de qualquer forma, eu prefiro errar fazendo o que acredito que é certo, assim pelo menos fico em paz comigo. Afinal, quando todos vão embora, eu que tenho que me aguentar, não é?

  2. seja!

    como dizem você é o que você pensa… e pelo visto, você é muito…

    além de ser super bonita, gente boa e tal… ainda tem conteúdo 🙂

    adorei!

    ps.: belo post!

  3. ooi.
    tudo bem?
    acho que sei realmente o que você quer dizer com ter a sua “privacidade invadida” (não nessas palavras) por seus pais, tipo eu criei meu blog e é um jeito de eu demonstrar o que eu sinto, sou uma pessoa muito fechada e nem meus amigos sabem da existência dele… Se outras pessoas que eu nem conheço lerem e falarem o que acham eu me sinto mais segura do que eu me abrir para um monte de gente que eu vejo no meu dia a dia, talvez para uma amiga tudo bem, mas não teria jeito de mante-lo escondido, não que algo que eu escreva seja incrivelmente grotesco ou coisa do tipo, eu só sou uma pessoa fechada, e gostaria de me abrir com pessoas que eu não conheço e que não poderiam me julgar pelo simples fato de ler um post, e realmente se meus pais descobrissem eu me sentiria intimidada a escrever novamente.
    Beijinhos

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